segunda-feira, 16 de março de 2015

MANIFESTAÇÕES - BRASIL 2015

16/03/2015 13h03 - Atualizado em 16/03/2015 14h12

Cardozo diz em nome de Dilma que governo está 'ouvindo' manifestações

Presidente reuniu o vice Temer e nove ministros no Palácio do Planalto.
Objetivo foi fazer avaliação dos protestos deste domingo em todo o país.

Filipe MatosoDo G1, em Brasília
Os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Eduardo Braga (Minas e Energia) durante entrevista no Palácio do Planalto (Foto: Filipe Matoso / G1)Os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Eduardo Braga (Minas e Energia) durante entrevista no Palácio do Planalto (Foto: Filipe Matoso / G1)
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou nesta segunda-feira (16), após participar de uma reunião entre nove ministros e o vice-presidente Michel Temer com a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, que o governo federal está "ouvindo as manifestações" e "aberto ao diálogo". O ministro disse que falou em nome da presidente. "É a fala dela que estamos reproduzindo", declarou.
Dilma reuniu o conselho político, formado pelo vice e os ministros, para avaliar o impacto do protestos deste domingo (15). Cardozo e o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, foram destacados pela presidente para relatar à imprensa o que foi discutido na reunião, da qual também participaram o assessor especial da presidente Gilles Azevedo e os ministros Miguel Rossetto (Secretaria-Geral), Aloizio Mercadante (Casa Civil), Jaques Wagner (Defesa), Gilberto Kassab (Cidades), Eliseu Padilha (Aviação Civil), Aldo Rebelo (Ciência e Tecnologia) e Pepe Vargas (Relações Institucionais).
"O governo está inteiramente aberto ao diálogo e assume como postura central o diálogo com todas as forças sociais. E pouco importa se são forças sociais que apoiam o governo ou são forças sociais contra o governo. [...] O governo está ouvindo as manifestações", disse Cardozo.
O ministro ressaltou que o combate à corrupção, uma das principais bandeiras dos protestos do último domingo, está na agenda do governo.
“Que resposta o governo deve dar? É lançar as propostas que tem contra a corrupção, é estar aberto a receber outras. Queremos ouvir a sociedade sobre essas propostas. Se elas vierem de lideranças políticas governistas, que bom. Se vierem de lideranças oposicionistas, que bom. Agora, se vierem de setores da sociedade, melhor ainda”, declarou.
Dilma ainda não se manifestou publicamente sobre os protestos. Neste domingo, ela monitorou os desdobramentos no Palácio da Alvorada e se reuniu com alguns ministros após as manifestações. No final do dia, Cardozo e o ministro da Secretaria-Geral, Miguel Rossetto, concederam uma entrevista para falar sobre os atos públicos na qual informaram que Dilma apresentará “nos próximos dias” uma série de medidas de combate à corrupção e à impunidade.
Segundo o ministro Eduardo Braga, a presidente da República encarou os protestos que reuniram mais de 1 milhão de pessoas neste domingo "com um sentimento de quem preza a liberdade de expressão".
"A presidente é uma mulher que tem arraigado espírito democrático. Ela é muito forte e firme e sabe conduzir sua equipe dentro das orientações que a levaram a chegar à Presidência", observou Cardozo.
O ministro da Justiça disse que, ao longo da semana, Dilma deverá se pronunciar sobre os protestos. "Ela [Dilma] tem agenda intensa nesta semana. Seguramente, ela falará sobre aquilo que for demandado, seja no seu pronunciametno, seja em contato com a imprensa."
'Humildade'
Em meio à entrevista coletiva desta segunda-feira, o ministro Eduardo Braga destacou que o governo federal promoveu nos últimos anos as chamadas "políticas anticíclicas", que incluíram a concessão de desonerações tributárias para vários setores da economia, a fim de  tentar reaquecer a economia. O ministro, no entanto, afirmou que, neste momento, o Executivo está fazendo correção de rumos e ajustes na área econômica e em programas sociais.
Segundo ele, é preciso "humildade" por parte do governo para reconhecer que ainda há desafios muito grandes no setor de infraestrutura. "Sabemos que precisamos de mais estradas, de mais ferrovias, de mais portos e aeroportos, mais eficientes. E tudo isso tem sido esforço do governo", ressaltou.


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